Gaia

 Caminho por uma estrada de fogo,mas não queimo os pés,ao contrário, os equilibro. A cada passo desnudo a alma,deixo pelo chão as máscaras que por tanto tempo me esconderam, deixo os medos passarem,sublimo os desejos.

A cada distância percorrida,liberto-me da repressão de ser quem ensaiava ser e passo a ser nada, me torno tudo! Não domino-me,pois sou fluidez. Quem me possuiu,sentiu a impermanência e a profundidade de anseios sinceros.

As bocas em que estive, trouxeram-me energia robusta,dancei e me encaixei sentindo o calor da fogueira que me rodeava, abandonei a limitação da cultura e vi Beltane. Ah,quanta expressão de amor,amor,amor! 

Antes ouvia sua voz em meio a escuridão das paredes,agora ouço violinos e o som me invade,me descativo de pudores. Quis tanto ser sua,sem ter sido antes minha. Sou carne,ardência, pensamentos, liberdade e existência.

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