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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

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Assisto a muitos filmes, alguns muito bons. Procrastino tanto, me diminuo em silêncios. Conto nos dedos os anos de possibilidades, sinto cada marca me atravessando sempre ao ir dormir. Mesmo alguns passos sendo para frente, caminho em círculos pesados. Às vezes, encaro minha face, vejo alguma angústia ali. Há fios brancos se destacando nos meus longos cabelos. Olhei nos olhos de uma menina, o sorriso dela tinha um frescor de novidade, alegria e percepções gentis. Apenas mais tarde ela se daria conta da própria solidão. Apago mensagens, esqueço sofrimentos. Algumas felicidades anestesiam. Penso em fazer uma lista de 36 coisas boas, uma para cada ano, mas prefiro não ousar. Há muitos cantinhos de frieza pelo mundo, mas não deveria um deles estar em você. Tenho muitas opiniões e teorias, um longo varal de pensamentos críticos esticado em mim, mas só permito julgar a mim mesma. Os prendedores mais fortes me suspendem e me calam.

Seu cheiro

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Tamanha intensidade do calor só se comparava à fervura dos pensamentos. Em meio ao caos silencioso e aos barulhos externos do carro, senti seu cheiro. — Estou de vez enlouquecida — pensei. O cheiro era tão óbvio que quase pude tocá-lo. Vinha e amenizava, trazia consigo o gosto do beijo, o sentir da pele, os suspiros e os aconchegos. Como poderia eu estar imersa nas delícias dessa paixão se, dessa vez, meu emocional estava em um raro equilíbrio? Ah, Bonitão, são tantos delírios tolos… Após tantos sinais vermelhos — do trânsito e também da vida — parei o carro, mas o coração continuava a te cheirar. Faz dois dias esse acontecimento e, hoje, apenas hoje, me dei conta de que seu cheiro estava no cinto, desde aquele domingo quente em que você dirigiu meu carro.